Voyager lupus minE agora vamos ficar no Brasil e em uma das melhores regiões do país para mergulho. O Nordeste brasileiro.

 

 

 

Em Janeiro, a empresa Atlantis, de Noronha (www.atlantisdivers.com.br/index1.html), organiza um Live Aboard entre Recife e Maceió ou entre Maceió e Recife. Também existiam outros entre Natal e Recife e Natal e Noronha, mas estes estão temporariamente suspensos, pois os mergulhos que eram realizados em Natal estão suspensos até a finalização dos planos de manejo. O barco utilizado no Live Aboard é o Voyager, catamarã de 18 metros de comprimento e com capacidade para 10 pessoas.

Janeiro é uma das melhores épocas para se mergulhar no nordeste, pois o mar costuma ser mais calmo e na maior parte dos naufrágios quase não encontramos correnteza. Mas isso não é regra geral e de vez em quando pegamos um mar meio batido e alguma correnteza em alguns dos mergulhos.

Em ambas as rotas, Maceió-Recife ou Recife-Maceió, os mergulhos são, basicamente, os mesmos. A diferença é a ordem em que são feitos. Quando o roteiro começa em Maceió, Barra de São Miguel, para ser mais exato, os mergulhos começam no Itapagé, um cargueiro que foi afundado por submarinos alemães na Segunda Guerra Mundial. É um dos melhores mergulhos do Brasil. O Itapagé possui 120 metros de comprimento e são necessários dois mergulhos para conhecer todo ele.

Para quem se interessa por detalhes dos naufrágios, recomendo uma visita ao site Naufrágios do Brasil - www.naufragiosdobrasil.com.br, onde Mauricio Carvalho nos presenteia com o resultado de suas pesquisas realizadas ao longo de anos.

Voyager lupus 2 minO Itapagé está entre os 21 e 27 metros de profundidade e com a utilização de Nitrox, podemos fazer quase uma hora de mergulho. Eu sempre escolho começar pela popa, onde estão os motores e em cima do qual sempre é possível encontrar tartarugas. Rodeando a popa podemos encontrar também cardume de barracudas.

Faço o primeiro mergulho entre o meio do navio e a popa e no segundo mergulho faço do meio para a proa.

Dependendo do horário da Maré, após os dois mergulhos, voltamos para o deck da Atlantis em Barra de São Miguel. Quando isso não é possível, passamos a noite no porto de Maceió.

Na sequencia, o próximo naufrágio a ser visitado é o Dragão (André Rebouças) que era uma draga e afundou no inicio do século XX. Está entre os 30 e 35 metros. Mergulhei várias vezes neste local sem correnteza alguma e uma vez com uma correnteza de superfície fortíssima. Mas, mesmo desta vez, no fundo a água estava absolutamente parada.

Os próximos da lista são o Draguinha (Draga nº 9) entre 30 e 35 metros e o Cequipe (Navelloyde nº 4), Voyager gonalo coelho minentre 29 e 32 metros.

Após estes mergulhos, partimos em direção a Recife e navegamos durante toda a noite.

No próximo dia, o Gonçalo Coelho é o primeiro naufrágio em Pernambuco a ser visitado. Era uma embarcação de transporte de tropas na Segunda Guerra Mundial e foi utilizada para transporte de carga e mantimentos entre Recife e Fernando de Noronha até ser afundado para servir com recife artificial no final de 1999. Seu casario está extremamente inclinado e deve tombar sobre o casco muito em breve. Está entre os 16 e 34 metros.

Voyager marte 2 minO Marte, rebocador afundado em abril de 1998 para servir de recife artificial é o próximo da lista. O Marte está em posição de navegação e cardumes sempre estão dentro ou fora da cabine ou em torno da proa. Está entre os 16 e 33 metros e da última vez que estive nele a visibilidade era de, no mínimo, 20 metros.

Após o mergulho no Marte, partimos para Recife, onde iremos ficar na base da Aquáticos – www.aquaticos.com.br .

Depois de dois dias de mergulho e uma noite em navegação, pisar em terra firme é uma benção.

Daqui em diante saímos para fazer os mergulhos e voltamos no final da tarde para a base da Aquáticos.

Voyager valsa minNo dia seguinte, o próximo da lista é o rebocador Walsa. Afundado em maio de 2009 para servir de recife artificial, está entre 31 e 42 metros. Era difícil ver a proa do barco porque um cardume gigante de Corcorocas ficava acima dela. Para chegar na proa tínhamos que passar no meio do cardume. Se você fizer isso bem devagar, consegue ficar no meio delas e algumas boas fotos podem ser conseguidas. A quantidade de vida aumentou muito de um ano para cá. Na primeira vez que mergulhei nele, praticamente não havia vida ao redor.

O rebocador Saveiro foi o próximo. Também afundado para servir de recife artificial, foi submergido em maio de 2006 e está entre os 18 e 28 metros. Foi a primeira vez que mergulhei nesse naufrágio e cardumes de Corcorocas e Sargentinhos estão ao redor.

O próximo e o último desse dia foi o Taurus, também afundado como recife artificial em maio de 2006 e que está entre os 18 e 25 metros. Cardumes de Papudinhas e alguns Frades estavam a boreste do barco. Lambaru e Moreia também foram vistas perto da areia. E o hélice estava cheio de peixes na parte interna.

No dia seguinte, depois de um excelente café da manha, partimos para o Lupus, que é mais um rebocador afundado para servir de recife artificial. A visibilidade estava acima dos 20 metros e me afastei um pouco do barco para tentar uma foto do barco inteiro.

E por falar em café da manha, vale mencionar que a comida no Voyager é algo absolutamente fantástico. Mister Cicero, mestre cuca das últimas viagens, é um excelente cozinheiro. São cinco refeições ao longo do dia, café da manha, lanche na volta do primeiro mergulho, almoço, lanche da tarde, e o jantar. Ser recebido na volta de um mergulho com uma bandeja de pão de queijo recém-saído do forno é sempre uma delicia.

Voyager lupus minO Lupus está entre os 30 e 36 metros e foi afundado em janeiro de 2002. Tem muita vida ao redor e dentro dele. Enxadas, Pampo Galhudo, Lambarus, Arraias estão por toda a parte externa e Papudinhas enchem a parte interna do casario.

Servemar X foi o próximo deste dia. Mais um dos rebocadores afundados propositalmente, foi submergido em janeiro de 2002 e está entre os 20 e 25 metros.

Água estava parada e limpa com visibilidade, mínima, de 20 metros. Cardumes de Corcorocas cobriam todo o casario e ficar entre elas é muito legal. Elas se movem devagar e se você for tão devagar quanto fica rodeado por elas.

Na subida para o cabo, tirei uma foto que pegou todo o barco de cima. Como a água estava cristalina a foto ficou bem legal.

Servemar I foi o último deste dia. Mais um naufrágio proposital, foi afundado em junho de 2004 e está entre os 18 e 25 metros.Voyager servemar X min

Logo na descida um Lambaru e uma Arraia passaram bem perto. No porão de popa tinha um Lambaru imenso, que nem deu bola para mim e pude tirar um monte de fotos. E tinha mais dois Lambarus no porão central. Cardume de Corcorocas estavam por toda a parte interna do casario.

O primeiro do dia seguinte foi a Corveta Camaquã, que afundou em julho de 1944 após receber três ondas grandes de través. Ela está entre os 46 e 55 metros e está tombada de boreste. Na areia, próximo a popa, existem algumas cargas de profundidade que, apesar do tempo, podem ainda estar ativas. Aconselha-se manter distancia das mesmas e, em hipótese alguma, deve-se tentar manuseá-las.

A corveta é um mergulho técnico e para evitar a narcose utiliza-se o Trimix. Mergulho aconselhado apenas para aqueles que possuem curso técnico. É necessário todo um planejamento de tempo de fundo, tempo de paradas durante a subida e que gases serão utilizados.

No retorno para o porto de Recife, um noturno no Taurus. Entramos na água às 17h34min e o Taurus estava cercado de vida. Dentro e fora. No final do mergulho, um cardume de barracudas estava se aproximando.

No último dia temos que acordar cedo, pois saímos para o Vapor Bahia as cinco da manha. São 3 horas de navegação até um dos mais belos naufrágios da costa brasileira.

Voyager vapor bahia minO Vapor Bahia era um vapor de rodas e afundou após um choque com o Vapor Pirapama em março de 1887. E está entre os 18 e 25 metros.

A roda de bombordo ainda está em pé e o visual dela, com cardumes entre as pás, é belíssimo. Outro detalhe que chama a atenção é a proa do barco. Ela ainda está em pé, imponente e cercado de cardumes de ambos os lados.

O mergulho é feito com Nitrox 32, pois tamanha beleza necessita de um tempo de fundo maior. Com esta mistura se consegue mergulhar por 50 minutos no Vapor Bahia, tempo quase que suficiente para desfrutar de todas as atrações do naufrágio.

São dois mergulhos no Vapor Bahia, mas dois sempre é pouco para curtir este naufrágio. Sempre fica um gostinho de quero mais.

Além destes naufrágios, existem mais opções como: Vapor dos 48, Pirapama, Reboque Flórida, Minuano, Mercurius, Chata de Noronha e Vapor de Baixo. O que determina para qual se vai são as condições de mar e vento.

Para quem se interessa por fotografia, usei uma Nikon D300 em caixa Sea&Sea, dois flashes Sea&Sea 110 alfa e lente Tokina 10-17 f/3.5-4.5 e Sigma 17-70 mm f/2.8-4. Apesar de ter levado a lente macro Nikon 60 mm f/2.8, não a utilizei.

Na viagem de janeiro de 2013 foram 503 fotos subs.

Roberto A. Palmer

www.pbase.com/r_palmer